segunda-feira, 14 de maio de 2012

Buenos Aires





Estive em Buenos Aires no ano de 2009, com um grupo de gourmets em viagem enogastronômica. 
Lá, se come maravilhosamente bem, muitos restaurantes bons e alguns muito luxuosos em Puerto Madeiro, San Telmo, Palermo Soho e Palermo Viejo.


Nessa publicação,você encontrará indicações da Chef e arquiteta Sonia Benevides, de Rodrigo lima (Grand Cru), Jefferson Cunácia (Casa Valduga) e também algumas  sugestões minhas.

  No estilo menu degustação a Vineria del Guatiero Boliva em San Telmo, com menu de 3 pratos ou opção de 8 pratos, destaque para um sorvete de puro chocolate, no nitrogênio líquido, a 190° negativos.  140 Pesos, o menu de 8 pratos.  Digno!

Hotel Faena
O Hotel Faena, com menu degustação longo, de 12 pratos, cozinha argentina contemporânea com muita personalidade.  Tem decoração clássica e belíssima, com cadeiras Luís XV e muito capitonês, tendo o mitológico unicórnio como tema, tudo branco, com pequenas pinceladas de bordô, hedonismo total.   Experiência maravilhosa por 175 pesos.


 Em San Telmo, no Don Ernesto,  restaurante de mais de duzentos anos, comi o melhor arroz de calamares da minha vida, nunca esquecerei o sabor, o aroma de açafrão e a temperatura da preparação!  Paguei 30 pesos, com uma taça de vinho da casa e uma garrafa de água mineral.



                                                                   Don Ernesto
                                                      Cozinha tradicional argentina


                                               Patio Thames em Palermo Viejo
  Restaurante tradicional e com muita qualidade. Os embutidos e queijos são o ponto forte e a carta de vinhos é maravilhosa, completa!  Amei e recomendo o coelho assado com cerejas. Bebemos espumante a viagem inteira, mas no Patio Thames bebemos muito!
Na verdade foi tão bom que fomos pra tomar café da manhã e o atendimento foi tão simpático que acabamos ficando pro almoço!














                                   Amei o lustre kitchie do PatioThames, Restaurante desde 1678

  Além dos cortes de carne impecáveis e das tradicionais parrilladas, do famoso bife de chouriço, coelhos são muito presentes na gastronomia portenha e peixes como a truta são muito apreciados também. 


  Se é pra falar em compras, comprei muitos livros de gastronomia, muito baratos, vale a viagem só pra comprar livros. Títulos  que por aqui ainda não chegaram e que talvez não cheguem nunca... Deve ser por isso,  que até o cara que limpa o banheiro em B.A. é culto, discute política e recita Cortázar.

  MARAVILHOSA  Feira de Antiguidades de San Telmo. Vontade grande de levar um gramofone por apenas 700 pesos, só que sairia caro, teria que  pagar excesso de bagagem.  
  

 Meu dinheiro usei pra comer, beber, comprar livros e coisinhas referentes a minha profissão, como: Vaporeira de bambu e algumas louças no barrio chino e umas poucas no Buenos Aires Design . Sais especiais, azeite de trufa negra e de trufa branca, vinagre de laranja, wok e muitos produtos da Patagônia que ao meu ver é a Caicó da Argentina. Enfim, muitas  tentações que só quem ama e trabalha com cozinha vai me entender.





Túmulo de Liliana Crociati, escultura neo-gótica fria e bela. Me senti estranhamente bem em estar lá, apesar da visita solitária ao cemitério, em meu último dia em Buenos Aires, que fazia 2 graus de temperatura.


 Visitar o cemitério da Ricoleta, é imperdível! O cemitério é o maior museu a céu aberto da América Latina, lá estão obras de grandes artistas, principalmente europeus. Um deleite pra quem gosta de arte e arquitetura. Estátuas góticas, neo-góticas, barrocas, neoclássicas e muitos gatos peludos e gordos, entre as obras ou apenas observando por dentro ou por fora dos imponentes mausoléus. O túmulo da Evita é o mais simples de todos, uma grande decepção, pra quem pensa que vai encontrar um castelo. rsrsrsrs Quem conhece a história do cemitério e de Evita, vai entender a simplicidade do túmulo e a importância da visita ao cemitério

O MALBA, museu onde se encontra o Abaporu, deve fazer parte do roteiro dos apreciadores de arte. Além do quadro mais famoso da pintora modernista Tarsila do Amaral,  muitas outras obras dos mais importantes artistas latino-americanos, da modernidade até a época contemporânea.

 Considero a primavera a melhor época pra 
visitar Buenos Aires, as ruas estão repletas de jacarandás floridos, meados de setembro e outubro..



 Pois é, Buenos Aires vai muito além das empanadas, dos alfajors e do doce de leite. Em B. A.  cozinha é assunto sério, coisa de gente grande! Poderia falar de muitos lugares, o que mais encontrei lá, foram bons restaurantes; clássicos, étnicos ou contemporâneos. Cumprimos a meta de dois restaurantes por dia, sem contar os bares e cafés.

Percebo que muitos brasileiros viajam pra fazer compras de roupas e perfumes importados e passam toda a viagem comendo empanadas e Mac Donald's, deixando de desfrutar de uma gastronomia maravilhosa. Portanto, economize nas compras de vestidos e perfumes, coma e beba bem, pois o que você bebe e come, se eterniza!
                                                             

domingo, 25 de março de 2012

Amor, é bom que se pratique





De amar nunca me esqueço

simplesmente pratico

é um ar, que preenche os pulmões

é a pulsação da entrega, solicita

é um mergulho entre ombros e suor

Me jogo entre o que a pele suplica

É uma canção que envolve olhos e tato

É um lamento precioso e sempre como se

fosse a primeira vez...

Entre o escuro onde se toca no objeto do

desejo e da luz que se abre entre dois corpos despidos e entregues

Tudo tão lacrimejantemente possível e pedido

entre a maçã que abre a boca e o pecado que

foge sorrateiramente,

Uma serpente que saracoteia a pele e

investiga o coração que clama por mais peles e pêlos

Tudo uma dosagem em excesso, como uma ponta

de desejo, que se avoluma e toma todo o corpo de quem quer mais.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

OS HOMENS LIVRES


      

É isso que tentam fazer conosco, castrar nossos desejos. Assim reprimidos, nos tornam fracos, dependentes e, sobretudo carentes de amor, impotentes, na expectativa do outro para nos salvar das faltas profundas, do imenso vazio que corroi, que persegue. De tanto renunciar fomos alimentando ressentimentos, raiva e, por fim, tornamo-nos anestesiados. Passamos a viver das emoções novelescas, passivos frente à ação televisiva. Assim a vida passou a ser assistida e não experimentada e vivida. Foi isso que tentaram fazer conosco: matar a vida! Mas...os rebeldes não se curvaram e não se submeteram porque sempre tiveram a certeza do desejo como potência natural, não reprimiam os movimentos, o corpo, as atitudes...Esses poucos corajosos, livres das repressões e censuras, foram bravamente vencendo fronteiras como heróis, muitas vezes crucificados ou queimados em fogueiras. Assim, esses homens livres amam com intensidade, sorri com vontade, não se incomodam se em um momento de emoção, uma lágrima rola no rosto, porque é livre e tudo flui, porque não renunciam ao desejo, são criativos. O sexo se transforma numa fusão sem limites; não trepam, mas transam a parceria plena de sensações, imaginativos, potentes e além de tudo, carinhosos, amorosos, sensuais, sexuais e espirituais. Que haja agora em nós, a determinação, a decisão de não mais renunciar o desejo, porém desejar cada vez mais, DESEJAR!!!

Texto escrito a aproximadamente 14 anos, recuperado por uma amiga. Não lembrava dele, mas se assinei, devo ter escrito.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Poesia comestível

A gastronomia passa por modificações a cada década, segue tendências artísticas e dita comportamentos. Como a moda, ela também pode ser vista como algo efêmero e fútil. Muitos ainda possuem o pensamento de que comida só serve pra saciar a fome e no máximo sentem o prazer primitivo de devorar uma picanha ferozmente. Outros mais "entendidos" compreendem o labor, possuem paladar mais apurado, mas no íntimo não enxergam como arte.
O profissional de cozinha antes de qualquer coisa é um artesão, e como um alquimista busca harmonizar sabores, cores e formas na composição de uma criação. Atua em sua cozinha como um maestro, coordena sua brigada como uma orquestra, onde não é permitido desafinar.
Sou uma apaixonada pela cozinha e reconheço nela valores artísticos como encontro na literatura, no cinema, nas artes plásticas e na música, mas percebo que poucas pessoas enxergam a arte que escolhi pra chamar de minha da mesma forma que eu.
Eu me surpreendi lendo o prefácio de Açúcar de Gilberto Freyre, que ganhei de presente de um amigo. Bom, em 1939 Gilberto Freyre já via a cozinha com o mesmo olhar que eu, considerava a cozinha "Poesia Óptica", pois enxergava nas formas dos doces, bolos e tortas sentimentalismo e romantismo. Em alguns símbolos ele percebeu inclusive intenções mágicas. Ele conta que através das receitas, uma arte resiste a seu modo ao tempo, repetindo-se ou recriando-se, com a constância das suas excelências e até as sutilezas de sabor; afirmando-se por essa repetição ou por essa recriação. Numa velha receita de bolo existe uma vida, uma constância, uma capacidade de vir vencendo o tempo.
Existe poesia contida nos cadernos de receitas de muitos cozinheiros, poesia que eleva o espírito quando degustada. Poderia chamar de poesia comestível?
Eu mesma gosto de colocar em minhas receitas: Tempere com sal, pimenta e um beijo... Aprendi com uma professora que tive, eu gosto de copiar o que considero bonito.
Na música brasileira compositores como Chico Buarque, Dorival Caymme, Ary Barroso, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Clara Nunes e muitos outros já utilizaram receitas como letras de músicas ou citaram preparações em suas composições.
Açúcar ou sal, quente ou frio? Vai depender do que pede a receita, do ritmo que estiver tocando e claro, do amor disposto.